Wednesday, April 01, 2009

Víscero

A poesia é cerne,
Carne exposta
De cheiro duvidoso.

Âmago amarrotado
Dum pobre coitado
Caído em pecado

São letras pescadas num vacilo,
Lágrimas ocultas em verso
Lampejam possíveis momentos.

Inexistência,
Saneamento mental
De passagem discreta
Em voz flagelada.

Imobilidade do imortal
Morto pouco a ponto
Em letras lacrimosas

Palpáveis

Falíveis.

6 comments:

Lívia Ferreira said...

Simplesmente lindo

Tchezar said...

Bom isso, heim!! Você manda bem!!

Victor Meira said...

Caramba, Tulio. Isso é lindo, irmão. Lindo, verdadeiro, sensível. A quarta estrofe é brilhante (saneamento mental - em voz flagelada... demais), e o fim é pra arrancar a pele. As primeiras são pura verdade.

Gosto demais. É uma das mais bonitas que já nasceram por aqui. Tem uma figura forte, que amarra todos os versos. É clara, pura, e tem um cuidado, um requinte léxico sensacional.

Lindo, mano.

karina rabinovitz said...

forte. bonito. fundo.
bom chegar aqui!

Heyk Pimenta said...
This comment has been removed by the author.
Heyk Pimenta said...

ô mano!

comentei esse lá no maná! veja lá! abração!

legal ver sua cara!