Monday, May 25, 2009

Ensaio manifesto

.

Abafado

Sôfrego

Desalento das palavras perdidas

Na ausência de virgulas ou

.....................................aspas

.

Desfaz os laços

Revisa atos

Coloca sal, açúcar, alecrim

.....................não lhe cabe.

.

Pairam nebulosas

Aparentemente doces

Coloradas de carbono

.......................oração

.

Quase apáticos

Meios limão

Separado em

....................parte

.......................inteira

.

Não há remate.

.

Desata em vós

O olhar melindroso

Coisa lírica de pranto

Sunday, May 10, 2009

O inquilino

os olhos alvejam
cobram o trocado do dia,
presságios de morte

perguntas sóbrias em ácidas
...........................................reticências

............................Lucidez gasosa,
corruptível imaginário

o passo desmedido
.......................da voz
na hesitação de não perguntar

na profundeza do canto
delinqüente das minhas
...............medidas próprias
dezenas de sentenças
partem deste ponto

sevado o chá
................quenteseco

amansa
........o inquilino

Saturday, April 18, 2009

Meia Noite

Busco água no banheiro
Sirvo em porcelana

Que lugar ideal.

A privada é para refletir
Por isso, privado.

A análise é profunda
O olhar imanente
Brota no espelho a fronte.
Não tarda

“Beba, são pregos”

Preciso é cortar a unha
Fazer a barba
Escovar os dentes

Limpar a casa,
Ao menos uma vez
Limpar a casa.



(Não terminado, aberto a opinião)

Tuesday, April 07, 2009

Estetoscópio

Tão certo quanto outros
Esse dia corre manso
Nos sorrateiros bocejos
De entrelinhas que assoviam
Passos apressados

Em meio ao estribilho
O estalar de um ruído

O olhar em fuga
Faz a busca
Da linha quântica
Em que persisto

As paredes encolhem

O lúdico rompe em
Auscultação

Wednesday, April 01, 2009

Víscero

A poesia é cerne,
Carne exposta
De cheiro duvidoso.

Âmago amarrotado
Dum pobre coitado
Caído em pecado

São letras pescadas num vacilo,
Lágrimas ocultas em verso
Lampejam possíveis momentos.

Inexistência,
Saneamento mental
De passagem discreta
Em voz flagelada.

Imobilidade do imortal
Morto pouco a ponto
Em letras lacrimosas

Palpáveis

Falíveis.

Friday, March 27, 2009

Desperto

O pensamento habitado
Por aquilo que não deve ser (lembrado)
Revisado, nunca calado.
A esperança da criança
Que quebra o nariz
Vivendo aquilo que tanto quis
A vida tão rica se faz infeliz
Viva por um triz

Nesse sonho, desenho de giz
A poeira voa com o vento
E o tempo calado me diz
Não há sonho infeliz
Nem vida sem quebrar o nariz.

Wednesday, March 25, 2009

Estação passado

O passado de hoje
Na janela do amanha
Espera.

Friday, March 13, 2009

Poesia por nada


A poesia tem gosto de maracujina
Um leve rabisco no tempo
Uma saída no que há de não haver

Alça voo nesse dia triste
Nessa hora inútil
O tempo que queira

Estar lá.

As tantas horas que já passaram
As tantas flores que já calaram
A carne apodrecida que alimenta o pássaro negro

Alça voo, alça voo.

A verdade não há de haver
E ainda estou aqui
Sem milhos, nem pombos
Numa praça esquecida talvez
Onde o rabisco é tempo
E o tempo há de não haver.

Um rabisco de quebranto
Pois o dia triste é uma alegria
E a morte é um banquete
Que alimenta a angustia
Em igual força ou mais
Seja inútil ou flor
Há de voar em ramas
Há de estar lá.

Sunday, December 07, 2008



Nesse nosso silencio traço a unha na carne brilhante e observo sua nudez. É um daqueles momentos em que você para e promete a si mesmo não esquecer do que sentiu naquele exato silencio, naquele suspiro esvaido. Daquelas pausas eternas que entornam o universo de magia, contrastando a vida e ansia. Durante toda a manha tive disrritimia cardiaca. Tive insonia. Tive angustia. Bruxismo. 
Talvez por ser um domingo os pássaros cantavam mais felizes, ou talvez fora a claridade de toda aquela manha que perturbou meus sonhos. Pude, num momento de tontura, sentir seu cheiro me arrepiar os pulmões, seguiam direto de seu colo até mim, predestinados a meu sabor. Tentei, e muito, praticar telepatia e fazer dos meus pensamentos seus. Ainda acredito que consegui, em partes.
Acordo do pesadelo que não dormi e sigo calado, devo caminhar. É preciso caminhar.

Sunday, November 30, 2008

tudo quanto escrevo é horrivel
tudo quanto artejo é descrível
nada externaliza o cerne
nada é minimamente passivel
nada externo é minimamente crível.

no amago há tempo 
inexistente

no fundo do fundo
do tempo da tumba
nem mesmo há
onipresente

no momento é possivel
e somente nele
o cortejo
infindável

Wednesday, November 26, 2008

Meu personagem pensamento
nesse dado unico momento
é você.

Meu pensamento sempre variado
hoje atrasado 
transfigura as ações
que nem sei que

e deixa o livre
à liberdade

Tuesday, November 25, 2008

Curtas sem pressas.

Estava deitado na rede como num descanso pós-orgasmático, observando as ramas do maracujazeiro a frente, observando suas distorções e contrações em busca de algo para se pegar. Grandes abelhas negras voavam por ali em busca de seu sulco floral, extase. Como zunem e voam destrambelhadas as abelhas negras, mamangavas. Pouco se via do céu ainda azul. Eram florais, mamangavas e distorções. Num lapso subi; a rede não badalava e o zonido não soonava. Distorci assim numa tarde de domingo, ao descanso do cansasso escasso. Deveras vezes me intrigo distorcido, onde florais vamos parar? Mamangava.

Saturday, November 08, 2008

Em si nua.

Vamos ver. Vamos rever. Onde estavamos mesmo?

Lembro de você me querendo quando eu não te via.
Depois eu te querendo quando você não me queria.

Logo há amizade. Há mais?

Sei que entre esses pontos há tempo. Casos. Finais.
E nesses casos a tempos há sinais. Casuais.

Sexuais.

Logo há mais?


Me nua, minha meia lua.

Se nuar-me agora
Nesse momento lua
Entrego a ti, aurora
A verdade crua.

Tua lingua saliva
Traça no desejo o olhar
Tua lingua em si nua
A tormenta meu mar.

Ensinua
Lua minha lua,
Meia nua na cama
Chama. meia chama.

suo suas sua suamos suais suam
somosumsósomsexual
somossósexo
somosssss
Chama.

Monday, November 03, 2008


Voltou-se a Ele novamente, nublado de angustias desconhecidas buscava em seu exercicio algum dia poder ver melhor, se ver melhor.
uma criança morre em algum lugar do mundo

Sabia o ponto de ebulição, eram os olhos. Ao fita-lo com profundidade trazia seu infinito nulo a tona, desconstruindo a surrealidade de sua visão.
uma criança morre em algum lugar do mundo

D'entre as surrealidades pequenos flashs fotográficos lhe faziam piscar, apesar de raros lhe doiam como a eternidade de uma vida.
uma criança morre em algum lugar do mundo

Hoje tinha a ansia d'um mundo todo. Hoje é o dia de sua execução, só hoje.
uma criança morre em algum lugar do mundo

Postava nu toda sua inutilidade, se via como tal frente a Ele. Coisa tão impossivel. Eu. Ele.
uma criança morre em algum lugar do mundo

Era o desafio de sua existencia, fita-lo eternamenta. Surrealisticamente fita-lo em seu mundo real.
uma criança morre em algum lugar do mundo

Tinha fome de verdade. Tinha surrealmente fome de tudo mais. Tinha fome de paz.
uma criança morre em algum lugar do mundo

Desviou o olhar em submissão. Fe-lo sem opção, tomado de uma racionalidade furtiva. Estava mudo, cego; surdo.
nasce uma criança em algum lugar do mundo

Wednesday, October 29, 2008

Reflexão.

             Que inferno, esse espelho. Não posso ser eu mesmo na frente dele, ele me modifica, me desconstrói, me envergonha. Por vezes sinto o coração acelerar e junto a respiração. É excitante. Quando quero parar e não posso, é sufocante. Sou eu, apenas eu, ali refletido. Como posso temer tanto a mim mesmo? Como posso envergonhar-me assim diante de mim? No auge de minha subversão fito seriamente esse corpo nu, busco no fundo dos olhos negros algo; e em poucos minutos me entorpeço estranhamente. Hipnótico. Tudo se distorce, me deixo ali, abandonado de meus pensamentos. Nesse estranho momento não sou. Nesse estranho momento, estou. Reconheço o corpo ali parado, mas desconheço algo, algo que me controla os arrepios e deixa a desejar. Desejo. Eu te desejo. 

            - Eu? Eu quem?

            - Eu, você.

            - Eu? A quem?

            - A você.

            E continuo a fitar hipnótico, procurando ainda no fundo dos olhos gigantescos o autor. Perdido penso em parar a conversa. Não posso. Eu quero mais.

            - Mais quem?

            - Eu, todos eles.

Saturday, October 25, 2008

Batom de Jazzmin

Escuto suave,
Pela primeira vez
.................................jazz.
ao
......vi
............vo

Em metais de marcha
No passo da guerra,
Uma notamental sentisuave.

Um beijo só
......................................pra
................................nota

De marcai sem éche
Da pazza no guezzo,
Uma notasuave sentimental.

Uma no ta Dó.
Uma no tá Só.

...........................Sol à Solo
................................Sola Solo

na su a ve no ta men tal
do si em mi la gre tal
su zzu zza do
....................C àche

quisá sol fosse lá
..............................si
..........................zi
.....................zzi
..............zzzi
..........
quisá
................quisá.

Monday, October 06, 2008

Escutou com calma o que ela tinha a dizer, não sabia o que pensar e tão pouco gostaria pensar algo. Era como um padre em seu impessoal confessionário, fitava com firmeza seu soluço e temia não se conter, temia deixar lavar-se pelas lagrimas daquele passado. Ao que discorria suas momentâneas verdades ele se recordava das momentâneas mentiras e lamentava o sentimento que por si só aflorava em silencio, apesar de negar o podia prever. Eram mundos imundos de passados que não passaram, os quais retidos nas retinas denunciavam a dor, a mesma dor que os fazia se fitar com tanto afeto. Estavam sentados na sua cama de solteiro, num quarto bem diferente daquele que havia consentido tantas horas a fio de secretos amores incondicionais. Mas a condição havia mudado. O quarto havia sido limpado e a chuva já não era tão nostálgica como fora as lagrimas. Fitava com olhar perdido os raios de sol que atravessavam as fendas da janela, eles se cruzavam e formavam um desenho diferente no teto do quarto, com variações infinitas de combinações luminosas. Sorriu no fundo da alma e deixou transparecer no canto da boca. Ela parou de falar e o olhou com severidade, queria descobrir o que pensava naquele exato momento, naquele exato olhar, naquele exato sorriso. Era um olhar invasivo e desesperado, possessivo por instinto. Logo ele se voltou a ela e percebeu que ela não tinha notado a mudança no quarto, muito menos as luzes que cruzavam a janela como num caleidoscópio. Eles se fizeram silenciar. Alguns suspiros depois disse: “Foi um prazer...”

Tuesday, September 30, 2008

E vejo hoje o mundo assim, tão grave. Derradeira emoção inconveniente. A respeito do resto, tenho receio. Respiro uma pena em exitação. Afogo uma emoção. Bebo de um pensamento exagerado, os olhos cerrados vibram. Tenho medo.
Durante todo o dia minhas pernas não cessaram a angustia, tão pouco deitar me fez descansar. É um momento grave, mas logo vai passar. Tudo passa. O que não passa, deixa de existir.

Thursday, September 18, 2008

É de grande intriga
Toda essa personalidade,
Toda essa inconstância,
Essa coisa feminina.

São químicos.
Químico físicos.
Alucinógenos.

Está no sangue,
Nos músculos,
Na carne,
No cheiro,
No cabelo,
Belo cabelo.

Arrepiam todos
Excitados os pelos
Com os tais, químicos
Físicos sanguíneos
Alucinógenos.

É lindo, exótico
O cabelo, o cheiro
A carne fascinante,
O sentimento errante
Que erra e chora, ante
A dor lascinante
Da alucinada
Viagem, que é
Ser amante.

Tuesday, September 16, 2008

Um senhor por volta dos 70 anos que vivia em meu prédio, no apartamento ao lado. Certo dia sua única filha me notificou sua morte, coisa que me deixou deveras triste já que compartilhávamos de tardes de xadrez aos domingos. No testamento um pedido: “Cuide do meu tesouro.”

Assim conheci minha mulher.